Um Cara Motivado

Eu já pratiquei muitos hobbies na minha “longa” vida de 23 anos. Deixa-me ver se lembro de todos, por ordem cronológica. Começou por subir em árvores quando eu estava no jardim de infância, pra fugir das “tias” – “tias” é como a gente chama, aqui no Sul, as mulheres responsáveis por cuidar das crianças. Depois disso, ainda na primeira série, a ser um “assistidor profissional” de Pokemon e Dragon Ball Z. O ápice da minha carreira foi quando ajudei Goku a lançar a Genki Dama, momento pelo qual, por sinal, sinto orgulho até hoje. Pra citar alguns mais, também tentei natação, futebol, basquete, atletismo, futebol de novo, muay thai e violão.

Eu não tentei um monte de atividades diferentes por obrigação, se é isso que você estava pensando. Não, não. Eu realmente queria fazer, e começava mega motivado. Mas se passavam alguns meses e eu estava mais sofrendo do que qualquer outra coisa, como assim?! Eu queria ser igual aos meus ídolos! Se eu os via tocando muito bem guitarra, tocando como se o instrumento fosse parte deles, eu queria ter essa habilidade, e não sofrer pra fazer uma pestana.

Como eu era muito magro, meus pais me colocaram na natação porque tinham nos falado que eu iria “pegar corpo”. Alguns meses depois e eu só tinha ficado mais magro e sem paciência de nadar de um lado pro outro. Eu não chegava nem perto dos meus ídolos, e assumi que eu simplesmente não tinha nascido pra isso, ou para aquilo. Que eu não era talentoso e que não iria chegar onde queria e então eu desistia.

Ultrapassando Limites

Em 2016 aconteceram as Olimpíadas no Rio de Janeiro. Caramba, que evento incrível. Não que eu tenha ido, infelizmente só assisti pela televisão, mas como sou “chorão”, me emocionei pela televisão mesmo. Mas “bah”, ver os melhores do mundo dando tudo de si pelos seus países é incrível, motivador, inspirador e outros adjetivos que não posso escrever aqui. Temos a sorte de poder assistir recordes mundiais serem quebrados, de limites humanos serem reavaliados. Tudo isso é muito estimulante mesmo, mas tem lados negativos, por incrível que pareça.

Ligamos a televisão e vemos os melhores. Os melhores atores nos filmes mais bem produzidos, os melhores atletas nas ligas mais bem pagas do mundo e os maiores empreendedores dando palestras para auditórios lotados. Estamos acostumados a ver somente “the best of the best”, e nos seus palcos. E essa é a nossa base para comparação. Quando eu jogava basquete, me frustrava por não conseguir fazer nem de perto o que os astros da NBA faziam. Mas não estava disposto a chegar 5 horas da manhã para treinar até o colégio começar, como Kobe Bryant fazia. Quando nadava, não estava disposto a nadar 80 mil metros por semana, como Michael Phelps. Chamamos eles de loucos, fissurados e depois, de ídolos.

Visão e Direção

Estou falando da jornada da maestria, de trabalhar e trabalhar para aperfeiçoar sua arte e alcançar sua visão, seu propósito. Se você quer um exemplo do que estou dizendo, assista “O Sushi dos Sonhos de Jiro”. É de deixar o queixo caído, uma história que me deu uma perspectiva do que transforma os melhores do mundo nos melhores do mundo. Eu costumava pensar que estas pessoas eram obcecadas, e que abdicavam de tanto nas suas vidas que eram, na realidade, infelizes.

Hoje em dia acredito não poder ter estado mais errado. Eles estavam se realizando, todos os dias. Davam seu máximo em algo que os fazia felizes e motivados por estar chegando próximos de seus objetivos, treino após treino, dia após dia. É isso que vai tornar você diferenciado, alguém que se destaca em sua arte. Encontre algo que o faça feliz e tenha objetivos. Pare de buscar soluções rápidas, comece a apreciar o caminho e não somente ansiar pelo resultado. Trabalhe dia após dia. Se torne um mestre.

“O mestre falhou mais vezes do que o iniciante sequer tentou” – Stephen McCranie.

Gabriel

Vida de Titã

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