Quando Não Existiam Aplicativos

                  Não muito tempo atrás, na escola, não existia Whatsapp, Telegram nem outro aplicativo de mensagens. Quando queríamos conversar a distância, a maneira mais segura era o bilhetinho. Puta merda, se eu for olhar meus cadernos, vai parecer que meu cachorro realmente comeu meu tema de casa, de tanta folha com rasgo. Mas era inevitável! Um risco que tínhamos que correr. Afinal de contas, aquelas conversas não poderiam esperar até o intervalo. Alguns anos mais tarde surgiu o advento do Whatsapp e as coisas mudaram.

O Que Nos Motiva

               Tony Robbins acredita na teoria de que o homem tem dois motivos simples que o motivam. Buscamos prazer ou evitamos a dor. É uma maneira muito simples de enxergarmos o comportamento humano, mas muito mais frequente do que não, verdadeira. Na minha visão, inclusive, temos de inverter essa ordem. Primeiro, o ser humano evita a dor e, depois, busca prazer. E isto é por pura observação das experiências que tive e das pessoas com quem convivi. Assim, o instinto que temos é que precisamos ficar na nossa zona de conforto, afinal, o que nos espera do outro lado? Incerteza, insegurança, ou, em outras palavras, dor.

O Uso Do Tinder

                Aplicativos como o Tinder surgiram de uma necessidade de mercado e uma sacada muito inteligente. Vou usá-lo como exemplo para ilustrar a ideia que quero expor. A dinâmica social da interação entre homens e mulheres é extremamente complexa e, possivelmente, dolorosa. Toda vez que nos expomos corremos o risco de sermos rejeitados e perder, entre outras coisas, validação social. Aí entrou o Tinder e tirou logo esta parte da jogada e pronto, se tornou viral. Agora você pode estar pensando “porra, mais um texto sobre como a internet/novas tecnologias são o problema do mundo, etc, etc”. Não, apesar de, de fato, acreditar que estes aplicativos tiram praticamente toda a graça de uma das partes mais emocionantes da vida, eu não tenho objeção ao aplicativo.

 Nosso Poder De Adaptação

               Nós todos temos um poder de adaptação fantástico. A questão é que a nossa zona de conforto também. Quando nosso subconsciente se depara com duas opções, uma delas sair de casa e nos expormos ou ficar em casa e não termos este risco, se estivermos correndo no piloto automático, a decisão que vamos tomar é clara. Quando deixamos essa situação se prolongar, atrofiamos nossa própria capacidade de interagir com outras pessoas. Uma ferramenta útil para acrescentar novas oportunidades na nossa vida social acaba nos sabotando. Quando não tomamos a decisão consciente de usar essas tecnologias como um acréscimo, ela substitui o que temos.

Cuidado Com Isso

                A questão é que o nosso crescimento está fora da nossa zona de conforto e conforme avançamos no nosso desenvolvimento, maior ela fica, e, portanto, mais difícil ainda é evoluir. O jogo é assim e por isso ele é tão fantástico. O frio na barriga de começar uma interação com um estranho nunca vai sair, mas ficamos melhores e melhores em lidar com ele. Algumas vezes, até esquecemos que ele está ali. Um dos meus mentores, o RSD Max, sempre diz que o maior inimigo da grandiosidade é o “bom o suficiente”. O perigo desses aplicativos é que eles despertam um dos maiores inimigos do nosso desenvolvimento, que é a comodidade.

 Gabriel

Vida de Titã

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