Oportunidades para todo mundo, menos para mim

É impressionante a facilidade com que aparecemos com alguma sugestão, solução ou oportunidades para alguma situação que não nos envolve diretamente ou quando a situação já não nos coloca mais pressão. Já perdi a conta de quantas vezes, minutos depois de conversar com alguém, me surgiu aquela ideia ou argumento sensacional. “Putz, eu devia ter falado isso!”

Pare de culpar os outros

De mesma maneira, parece que tem dias que as coisas estão contra o nosso progresso. Tudo parece dar errado e culpamos tudo e todos. Prova de que essa mentalidade ainda se faz presente são frases como “contra tudo e contra todos” que se lê em camisetas de academia por aí. Alguns anos atrás quando uma pomba soltou um presente no meu ombro durante uma viagem, eu sei que passei por isso. “Filha da puta, quer me sacanear. Só pode tá de brincadeira”.

Surpresa: você não é o centro do mundo

Marco Aurélio disse – escolha não ser prejudicado e você não se sentirá prejudicado. Não se sinta prejudicado e você não será –. Nós tendemos a ver o mundo como se nós fôssemos o centro dele e tudo que acontece ao nosso redor fosse para nós. A realidade é que o mundo existia antes de nós e vai continuar existindo depois.

Se esta perspectiva não lhe ajuda, mude-a

A mesma justificativa pode ser dada para essas duas situações e suas respectivas reações. Tanto para nossa falta de clareza em situações que nos impõe pressão, em que somos afetados diretamente, quanto para esses momentos em que culpamos tudo e todos. A falta de controle emocional e objetividade. Nós mesmos nos sabotamos na medida em que deixamos de enxergar as coisas de uma perspectiva que nos seria benéfica. E o mais maluco é que isso só depende de nós.

Cuidado, esta é a sua visão

Conseguimos dar os conselhos claros e objetivos aos nossos amigos porque tiramos o “eu” do cenário. Quando nossas emoções estão controladas, os problemas todos parecem ter solução. Mas quando colocamos a nossa vida no meio, de repente a coisa muda. Isso porque passamos a ver as coisas como as imaginamos, e não como são. Ou seja, deixamos de ser objetivos.

Se você não vê nada positivo está olhando o lado errado

As consequências da falta de objetividade são diversas, mas uma que detesto é o desperdício de oportunidades. Situações desconfortáveis, ou problemas, são situações para as quais não temos uma solução conhecida. Ou seja, é algo fora da nossa zona de conforto, que é exatamente onde fica o nosso desenvolvimento. Mas quando não somos objetivos e acalmamos as nossas emoções, não conseguimos tomar a decisão correta ou tiramos a responsabilidade e o poder de mudança de nós mesmos. Meu chefe é chato? Bom, vou praticar paciência. Está chovendo e eu queria ir para academia? A academia vai estar vazia e vou poder treinar com mais calma. Perdi o ônibus? Vou ter mais tempo para ler.

Enxergue o que poucos veem e diferencie-se

Enxergar oportunidades onde os outros somente veem obstáculos é uma habilidade e hábito que deve ser desenvolvido. Metade das empresas da Fortune 500 foi fundada em épocas de recessão ou especulação. Não é coincidência. Quando a maioria das pessoas só enxerga negatividade, poucos estão dispostos a olhar para as oportunidades que parecem estar escondidas. Não estou falando de fazer isso quando convém, ou em momentos esporádicos. Esta deve ser uma maneira de encarar a vida, uma mentalidade. Obstáculos são oportunidades, e enxergar assim é a única maneira de aproveitá-los e aprender com eles.

Foto: Tyler Hendy no Unsplash.