Talvez o nosso instinto mais primitivo seja o medo. De certa forma, graças a ele nós conseguimos criar a civilização que temos. Queremos ser aceitos na sociedade, fazer parte da tribo. Antigamente, isto significava sobrevivência. Hoje, as consequências, para maior parte dos casos, é bem menos severa.

O medo não mudou, mas as consequências sim

Iniciar uma conversa com uma pessoa estranha em público é um bom demonstrativo. Quando vivíamos em tribos, sinais de fraqueza como rejeição poderiam resultar em exclusão do grupo. Hoje este processo ainda pode acontecer. Ao sermos rejeitados, muito provavelmente não faremos parte do grupo daquela pessoa. Mas como isso afeta a nossa vida hoje certamente não é tão ruim quanto nos tempos antigos, e tampouco quanto nós imaginamos ser.

Converse consigo mesmo

Muitas vezes o instinto é intensificado por experiências ruins. Um par de resultados negativos e pronto, nosso cérebro já criou a associação necessária para nos travar de medo. Racionalizar sempre ajuda. Ter uma conversa lógica e objetiva consigo mesmo pode ser muito reveladora e tranquilizante. Quando colocamos o nosso medo sob uma luz e entendemos seus motivos e piores cenários que aquela situação pode gerar, normalmente somos capazes de agir. De fazer aquilo que nos causa essa ansiedade, esse pânico.

As nossas desculpas

A questão é que não sou fã de ter uma visão negativa. Se adotarmos essa mentalidade, toda situação em que tenhamos receio de agir pode se tornar um fardo. Vemos aquela mulher incrível passar e o sentimento que nos assola é de pressão, de obrigação. Imediatamente ficamos nervosos, entramos na nossa cabeça e um milhão de desculpas aparecem. “Ela tá indo na outra direção. Ela tá no telefone. Ela vai achar que eu quero vender alguma coisa. Ela deve ter um namorado.” Tenho certeza que você pode continuar essa lista com algumas das coisas que você já ouviu de si mesmo. Além do mais, racionalizar é uma solução paliativa. Nos mantemos reativos ao medo e não nutrimos uma relação saudável com ele. As consequências aparecem toda vez que ele surge: ansiedade, nervosismo, estresse.

Se não pode vencê-lo…

O detalhe é que toda situação que valha a pena vai produzir medo. Então se você está buscando evoluir, prepare-se, ele será seu companheiro para vida toda. Para quem almeja novas oportunidades, sempre estarão anexados novos riscos. Essa é a beleza de sentir medo. Se ele está ali, é porque você está se desafiando, você está fora da sua zona de conforto. Quando entendemos isso, percebemos que o medo pode e deve ter outro significado em nossas vidas. Ele é um mapa para a nossa evolução. Gosto muito de como o RSD Max fala, que o medo é o nosso próprio mapa para liberdade.

O que o medo realmente nos ensina

Quando entendemos o que o medo realmente nos mostra, conhecemos melhor a nós mesmos. Enxergamos os nossos limites e assim nos damos conta onde podemos melhorar. Infelizmente, sentimentos de nervosismo e ansiedade muito provavelmente não vão desaparecer. Mas ao invés de toda vez que travarmos sentirmos obrigação, vamos entender que aquilo é, na verdade, uma oportunidade, e essa mudança de mentalidade torna o processo muito mais prazeroso.

Gabriel

Vida de Titã

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