Xiii, Lá Vai o johnny Falar de Amor de Novo…

Hoje eu quero compartilhar com você um vídeo muito especial para mim, porque ele é minha primeira tentativa em anos de mexer com arte. Desde moleque gostei de escrever e cheguei a ter um caderno com minhas poesias na adolescência. Minha família ria dos meus escritos e achava minha rima pobre falando de amor, da vida e dos anseios de um garoto de 15 anos. Que anseios pode ter um garoto de 15 anos e de classe média? Mas meu professor de Literatura do Ensino Médio me incentivou muito a continuar escrevendo, e chegou a ler algumas coisas minhas na sala de aula. Isso não ajudou muito a tirar meu estigma de nerdzão da galera, mas fiquei feliz de ter esse lado meu reconhecido.

Com os anos, fui parando de escrever em rimas sobre o amor e o cotidiano. Tentei um tempo fazer rap, mas não tinha o talento pro improviso nem o “sangue nos olhos” dos caras que eu admirava. Comecei a escrever prosa, crônicas perdidas de um cara que tinha muito a dizer. Em 2011 comecei um blog sobre esse tema que me fascinava, o trato com as mulheres e a dinâmica social. Esse blog evoluiu, se transformou na Titan e depois na Super Boss. Eu fui largando cada vez mais a palavra escrita, delegando ela para quando o Facebook, como uma namorada ciumenta, me pergunta no que estou pensando.

Sobre essa Poesia

Fast Forward para abril de 2017, na cidade que nunca decepciona. Belo Horizonte, pra mim a minha eterna amante, a “Bê”, tem um charme que vai aém do sotaque cantado. Não sei explicar, talvez eu que seja muito fácil de impressionar, mas a cidade me inspira. Lá não tem a malandragem quase obrigatória do Carioca. Não tem o modo Hustler paranóico do Paulista. Lá é tudo com calma, tranquilo, mas não se engane. O mineiro também sabe fazer festa. Se você relevar o fato de tocarem os mesmos sertanejos umas 8 vezes por noite.

Nesse cenário, depois de gravar um vídeo sábado falando do que é amor de verdade, eu acordei domingo de manhã com esse calor. Como eu imagino que os grandes do Jazz escrevem suas músicas, comecei a ver palavras na minha frente. Estavam escritas em letra maiuscula, fonte 90 sem serifa, se esfregando na minha cara. Eu não estava cumprindo com o que eu mesmo tinha dito na noite anterior. O vídeo da véspera explicava exatamente que amor verdadeiro não tem nada a ver com amor romântico. Trata-se de verdade, expressão, de fazer o que você ama e da sesanção que você tem na hora. E lá estava eu, num dos lugares que mais me inspira no mundo, ignorando minha paixão pela palavra.

Amor, desses com o Azão

Preparei o equipamento às pressas, ainda com as palavras queimando na minha cabeça. Amor, Azão, Tesão, Produção, Expressão, Visão. As idéias tomavam forma e ficavam cada vez mais claras conforme eu colocava mais atenção nelas. Armei o tripé na sala do Hostel, acendi todas as luzes que eu podia e ensaiei todo o “texto”. Ficou uma merda. Eu deveria ter escrito, ia ficar mais fácil. Não, esse tipo de inspiração, esse tipo de pensamento não cabe na ponta de um lapis. Nem no papel. Vai ter que ser falado. Vou falar de novo, com a câmera ligada, e vai sair melhor.

E aí eu comecei de novo, e gravei esse video que deixo aqui embaixo para você. Nele eu faço as pazes com uma das minhas paixões que  é a palavra escrita. Mas também coloco ela na forma falada, como eu mais gosto de me expressar e produzir conteúdo.

Nesses dois minutos de vídeo, eu não só explico mas também vivo o Amor com Azão.