Esse artigo sobre Meditação começa com uma pequena história: Sempre quando eu viajava com meus pais pedia pro meu pai “pegar o atalho”. Eu ainda era pequeno e podia deitar no banco de trás confortavelmente, bons tempos. Uma cabeça em uma porta e os pés mal encostavam na outra, eu estava praticamente em uma cama. O que acontecia na verdade é que eu dormia, quando acordava nós já tínhamos praticamente chego e eu achava incrível que tinha pulado toda aquela chatice de ficar dentro de um carro.

Um Clique Que Mudou Minha Visão

Nós somos condicionados a achar que existem sentimentos bons e maus. Que tudo aquilo que nos causa dor, ansiedade ou mesmo tédio temos que evitar. Como consequência, não expandimos nossa zona de conforto. Talvez você assistiu o filme “Click” com Adam Sandler e percebeu um pouco do que aconteceu ali. Pra quem não assistiu, o faça. Nós conscientemente queremos pular, avançar, fazer com que passe rápido os momentos chatos, e no começo evitamos eles conscientemente, igual no filme. O problema é que somos criaturas de hábitos, e isso funciona também contra nós. Assim que sentimos o gatilho e entramos no looping do hábito, passamos a fazer as coisas sem um necessário controle consciente. Ou seja? Eu sentia aquele tédio da viagem de carro (gatilho), dormia (hábito) e acordava empolgado (recompensa), sabendo que agora a diversão ia começar.

Presença Verdadeira

Com a prática da meditação, eu consigo me lembrar de conscientemente muitas vezes durante o dia de estar no momento. Durante a própria prática, aprendi a conviver com sentimentos “bons” e “ruins” que aparecem. No começo, todo e qualquer desconforto é terrível, visto que teoricamente eu não devia me mexer. Mas que merda que foram aquelas primeiras tentativas, vou te dizer. É incrível como eu não conseguia manter minha concentração na respiração por nem 15 segundos que fosse! Era o que eu ia fazer a seguir, era criando cenários malucos na minha cabeça, era pensando que “puta merda, ainda deve ter mais uns 10 minutos disso”, e depois “puta merda, deve ter mais 9 minutos agora” e assim por diante. Mas bem, eu recomendo muito (mesmo!) a prática de meditação diária e prometo que toda esta frustração inicial vai passar e que os benefícios se pagam múltiplas vezes.

Meditar é somente um exercício de mindfulness que nos ajuda a aumentar o tempo que estamos plenamente presentes. Podemos praticar a “atenção plena” enquanto estamos tomando banho, sentindo cada gota de água bater no nosso corpo, e os sentimentos que se refletem dentro de nós com isso. Podemos fazer o mesmo correndo, cozinhando, estudando, enfim, “onde quer que você esteja este é o ponto de partida” Kabir.

Efeitos A Longo Prazo da Meditação

Quando estamos no momento, com atenção plena, conseguimos analisar e conhecer a nós mesmos. Identificamos padrões, somos capazes de quebrar hábitos (TED Talk, Uma forma simples de abandonar um mau hábito) e assim vemos onde somos bons, onde temos que melhorar, como aprendemos melhor, o que funciona pra nós e etc etc. Então, se você ainda não o faz, fuja do piloto automático e busque alguma prática de “mindfulness”. Sendo o mais clichê possível: o seu desenvolvimento vai mudar de velocidade, eu prometo.

“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás todo o universo e os Deuses, porque se o que procuras não achares primeiro dentro de ti mesmo, não acharás em lugar algum.”